Dos filmes que assistí...

01/02/2008 18:06
São vários personagens, cada qual com seu próprio desenvolvimento dramático, que aos poucos vão se interconectando e formando todo um painel.
Um cortiço é a referência para a gama de personagens, que inclui um travesti, uma cobiçada dançarina recém-chegada, um pintor bom caráter, um aleijado, a lésbica boa-praça dona de um bar, a filha da terra que recentemente voltou do exterior, o bissexual garanhão e alguns outros menos cotados (a maravilhosa cantora Virginia Rodrigues faz uma pontinha como a Beyoncé da Bahia)!
Ao invés de desenvolver esses tipos tão comuns do nosso povo, dando-lhes profundidade, Gardenberg prefere concentrar-se nos estereótipos, já tão explorados pelo nosso cinema. A única personagem que recebe atenção maior é Dona Joana (a atriz Luciana Souza), a dona do cortiço. De fortes convicções religiosas, ela entra em conflito com os demais moradores ao fechar o registro de água do local por desaprovar a atitude libertina de todos durante o período de folia, além de não suspeitar que seus filhos pequenos estão bem longe daquilo que ela pensa que são.

Outro bom momento é quando há um embate entre Roque e Boca, personagens de Lázaro Ramos e Wagner Moura, respectivamente. Um diálogo forte e preciso a respeito do preconceito, indispensável à história por simbolizá-la. Discutível apenas a escalação mais uma vez desses dois atores em uma produção nacional. São certamente os melhores surgidos através do cinema da Retomada (lembrando que ambos têm uma extensa base teatral anterior, principalmente na própria Salvador), mas a superexposição é preocupante, até porque já conquistaram seus espaços também na televisão. Outra que precisa se preocupar com isso é Dira Paes, também presente aqui.

A ausência de uma análise comportamental sobre os personagens de “Ó Pai, Ó” (algo como “olhe para isso, olhe”, em “baianês”) provoca duas conseqüências contrárias. A primeira é que deixa o filme sem qualquer tipo de propósito: após a projeção, não sabemos exatamente sobre o quê o filme se propôs a dizer. Amorfo, parcial e artificial, deixa a sensação que é uma grande bagunça narrativa. A boa conseqüência é que o filme ganha leveza, com a ajuda da trilha sonora de ritmos locais. Mas também esse aspecto é prejudicado pelo final constrangedor, uma última tentativa de dar alguma relevância ao filme. Deixa um gosto azedo a um filme já destrambelhado.

Um adendo: não é possível que seja tão difícil inserir criativamente merchandising durante um filme. O uso da imagem de um avião de uma companhia aérea é de um mau gosto tremendo e nos remete ao que há de pior no nosso cinema.
enviada por alyssa



20/10/2006 13:52
Cama de Gato é uma espécie de drama de humor negro com forte crítica social que discute os conceitos de ética e preceitos morais coletivos em confronto com a ética e a moral de cada indivíduo. Retrata a realidade de parte da juventude brasileira de classe média alta de hoje, que tem acesso a todos os tipos de bens materiais e vive em busca de satisfação e diversão imediatas.Cama de Gato trata esse tema com ironia e realismo poucas vezes praticado no cinema, através de uma linguagem cinematográfica muito específica que possibilita a extrapolação da ficção, fazendo-o questionar os temas tratados e suas implicações.
Traz imagens documentais com depoimentos de cerca de 80 jovens de diferentes classes sociais, colhidos durante as filmagens e realizados sem que os entrevistados tivessem ao roteiro ou assistido qualquer cena do filme.
Escrito e dirigido por Alexandre Stockler, Cama de Gato foi rodado e editado com apenas R$ 13.096, com o custo final inferior a R$ 100 mil (após o transfer para 35mm), graças à participação e apoio de diversos profissionais e empresas.
O elenco formado por jovens desconhecidos (exceto Caio Blat), foi escolhido através de diversas campanhas realizadas na internet. Além disso, a trilha sonora original foi composta apenas com músicas bandas desconhecidas, que enviaram seus CDs e MP3 para a produção com o propósito de divulgar seus trabalhos.
TRAUMA
Cama de Gato é o primeiro produto resultante do manifesto TRAUMA (Tentativa de Realizar Algo Urgente e Minimamente Audacioso), lançado em 1999, como uma bem-humorada resposta latina ao movimento dinamarquês DOGMA 95. É um manifesto brasileiro, que tem por objetivo viabilizar a produção de filmes de longa-metragem de qualidade, com baixo orçamento.
Duração: 92 min; Direção e Roteiro: Alexandre Stockler; Elenco Protagonista: Caio Blat, Cainan Baladez, Rodrigo Bolzan e Rennata Airoldi.
enviada por alyssa



08/10/2005 09:41
50 Coisas Simples que as Crianças
Podem Fazer para Salvar a Terra

enviada por alyssa



29/08/2005 15:58
Radio (Cuba Gooding Jr.) é um rapaz solitário que vive perambulando nos arredores do campo de treinamento do time de futebol americano de uma escola secundarista da Carolina do Sul.

Tem uma pequena deficiência mental, e é cheio de esquisitices, como colecionar coisas que encontra pelo caminho e carregá-las em seu carrinho de mão dia após dia.

Certo dia Harold Jones (Ed Harris), o técnico do tal time de futebol americano, nota a presença de Radio, e vai estranhando que ele passe por ali todos os dias, nos mesmos horários. Resolve então abordar o rapaz e oferecer-lhe água, mas Radio não está habituado a comunicar-se com outras pessoas e a princípio é arisco às investidas de Harold.

Isso instiga ainda mais Harold, que acaba assumindo uma "empreitada" de tirar alguma palavra de Radio, e aos poucos surge uma simpatia mútua. Logo Radio se tornaria uma espécie de ajudante geral do técnico, o que a princípio não agrada aos atletas do time, que não hesitam em humilhar o "retardado" sempre que podem.

Mas Radio tem carisma, e aos poucos também vai se mostrando menos limitado do que parece, e vai assumindo "tarefas" cada vez mais "complexas", como separar as toalhas do time nos vestiários, cuidar para que não falte água, guardar as bolas no depósito e outras coisas do tipo.

Harold acaba virando um tipo de "protetor" de Radio, e chega até mesmo a castigar seus atletas quando percebem sua hostilidade para com ele. Aos poucos, até mesmo os mais trogloditas e esnobes da equipe acabam aceitando Radio, até porque ele começa a ir com o time às competições, e eles ganham, o que faz com que ele vire praticamente um "mascote da sorte".

Radio acaba ganhando notoriedade também na comunidade, já que está sempre com o famoso time do técnico Harold, e conquista a simpatia até dos mais improváveis. Ainda assim, sempre existem os preconceituosos que "remam contra a maré", e embora Radio seja querido pela maioria, existem alguns poucos que não gostam de sua presença constante na equipe e agora também no interior do colégio, e fazem de tudo para sujar sua imagem de "bom moço".

Este filme é baseado na história real de Radio (que aparece no final do filme já velho), e é uma bonita história de afeto e amizade desinteressada.

Cuba Gooding Jr., que desde que ganhou o Oscar não fez muita coisa digna de nota, está bem no papel de Radio, embora exagere um pouco nos trejeitos, mas ainda assim convence. Já Ed Harris como sempre dá conta do recado, e ambos conseguem contar a bonita história de Radio com competência e delicadeza.

Não é nenhuma obra-prima, e a princípio parece até clichê demais e muito sentimentalóide. Mas com o desenrolar da trama essas pequenas falhas vão dando lugar às pequenas aventuras diárias do protagonista, e o filme se torna gostoso de se assistir, leve, delicado e, porque não, divertido.
enviada por alyssa



05/08/2005 13:04
É,consigo produzir mais se estiver pressionada!
enviada por alyssa



14/06/2005 13:04
Quando a inteligência é colocada a serviço de um cineasta, através de um roteiro bem elaborado, ao contar com o apoio de um elenco de grandes atores, por estar trabalhando ao lado de uma equipe técnica de apoio gabaritada e que se esforça ao máximo para acertar tudo nos mínimos detalhes e, também, quando o próprio diretor se esmera no sentido de extrair de todos os que trabalham sob a sua batuta o máximo que cada um pode dar, surgem obras como o filme de Phillip Kaufman, "Os Contos Proibidos do Marquês de Sade".

Pelo fato do filme lidar com um personagem dos mais complexos, especialmente pela sua especialidade enquanto escritor, ou sejam, as obras de conteúdo erótico, torna-se difícil para os professores imaginarem onde e como utilizar tal obra. Trata-se de material que deve ser utilizado apenas a partir do Ensino Médio e, preferencialmente, em cursos de 3º Grau.

Há, na obra de Kaufman, referências a Napoleão, que inclusive aparece rapidamente no filme, já que o imperador francês perseguiu o Marquês e vetou seus escritos. Há uma "participação especial" do período do Terror, logo no início do filme, com a guilhotina sendo colocada em funcionamento numa cena de horror explícita. Há também, a forma como a sociedade lidava com seus loucos na transição do século XVIII para o XIX, diga-se de passagem, extremamente perturbadora, sem qualquer perspectiva real de recuperação dos pobres doentes.

A história do filme, por sí, nos conta a situação do devasso Marquês de Sade (interpretado brilhantemente pelo ator britânico Geoffrey Rush), que devido a sua grande habilidade para escrever acaba sendo preso por ordem da autoridade imperial, vossa majestade, Napoleão Bonaparte. Poderíamos imaginar se tratar de mais um caso de perseguição política, numa época de consolidação da ordem burguesa onde um marquês (ou seja, um nobre) não seria tão bem considerado socialmente. Não é esse, no entanto, o caso do perseguido Sade, pelo contrário, ele vai ser perseguido por sua depravação moral, numa sociedade católica que, se não é tão conservadora quanto as ibéricas (Portugal e Espanha), também tem seus rígidos códigos de conduta.

Mas o marquês não é mandado para uma prisão qualquer, depois de rodar por instituições que não conseguem resolver seus problemas, ele é internado num sanatório, ou melhor dizendo, num hospício. Para não ficar realmente louco, ele desanda a escrever, auxiliado por uma jovem camareira que trabalha nessa instituição (a bela Kate Winslet, de Titanic, numa participação convincente).
A tal instituição mental é, porém, capitaneada por um padre (vivido pelo ator Joaquin Phoenix, que já havia brilhado como o imperador Comodus, em "Gladiador") que proíbe o marquês, terminantemente de continuar escrevendo seus trabalhos imorais.

enviada por alyssa



09/05/2005 09:26
Alguém aí pode me indicar um bom filme?
enviada por alyssa



30/03/2005 15:59
Grandes nomes da literatura mundial são reunidos pela Rainha Vitória para combater um homem que deseja dominar o planeta. Dirigido por Stephen Norrington (Blade) e com Sean Connery no elenco.
O melhor de A Liga Extraordinária é justamente conferir esta nova versão de personagens clássicos, velhos conhecidos do grande público que agora ressurgem em nova roupagem.
enviada por alyssa



07/01/2005 09:28
Após descobrir que possui uma doença grave, uma mulher passa a listar tudo o que sempre quis fazer em sua vida mas nunca teve oportunidade. Com Sarah Polley, Alfred Molina, Amanda Plummer, Mark Ruffalo e Maria de Medeiros.

enviada por alyssa



15/11/2004 10:14
"Somos a pornogeneração de atores: por que escandalizar-se?", declarou Tiffany Limos, a jovem protagonista do filme Ken Park de Larry Clark (o mesmo diretor de Kids) e Ed Lachman."A moda sempre instrumentaliza a nudez. Por que isso não pode acontecer em um filme de jovens?", perguntou Tiffany, que participa no filme de uma cena de orgia demasiadamente explícita.
Para Clark e Lachman, Ken Park não poderia ser feito sem todas as cenas de sexo e violência que contém. "Pensamos justamente em fazer um filme explícito, realista e não de ficção", comentaram.
Não é a primeira vez que Clark, nascido em Oklahoma, em 1943, e que antes de ser diretor de cinema foi fotógrafo de culto nos anos 60 do século 20, faz um filme escandaloso. Ele dirigiu Kids, em 1995, no qual um grupo de adolescentes fazem sexo e perdem a virgindade sem usar preservativos, em plena era aids.
Ken Park é um filme que Clark queria fazer desde 1994, mas que não pôde realizar naquele momento "porque já naquela época eu queria chegar ao fundo, sem autocensura nem compromissos".
O filme é uma co-produção entre Estados Unidos, Holanda e França e foi vendido para a África do Sul, Portugal, Escandinávia e Tailândia, mas será difícil chegar à Itália e aos Estados Unidos, já que Clark garante que não aceitará cortes. Para Clark, seu filme não é pessimista, pelo contrário: "há um enfoque otimista desta juventude cujo único problema é acertar as contas com sua própria família".
Mas, o filme tampouco julga os adultos: "Os pais do filme não são simplemente maus, são também humanos. Eu critico neles a maneira de superar suas frustrações", e citou a cena mais dura, em que um pai machista masturba seu filho a quem acusa de efeminado".


"Eu não sei Ken Park, agora Ken vomitou fui eu."

enviada por alyssa



13/11/2004 01:09
Sinopse: Depois de enfrentar um dragão que cospe fogo e o terrível Lorde Farquaad para obter a mão da Princesa Fiona, Shrek agora enfrenta o seu maior desafio: os pais da noiva. Conhecer os pais dela era, provavelmente, a última coisa na mente de Shrek ao se casar com Fiona. Mas os trompetes reais sinalizam o fim da lua-de-mel quando os sogros de Shrek — o Rei e a Rainha — enviam um convite formal à Princesa Fiona para o baile real em comemoração ao casamento com seu “Príncipe Encantado”.
Todos os cidadãos do Reino de Tão Tão Distante se reúnem para saudar o retorno da Princesa e seu novo Príncipe, sempre acompanhados do Burro; mas ninguém — muito menos os pais da noiva —estava preparado para a figura do novo príncipe e para a mudança de sua querida princesinha. Agora o rei tem que contar com a ajuda da poderosa Fada-Madrinha, do belo Príncipe Encantado e do famoso matador de ogros, o Gato de Botas, para realizar a sua versão de “felizes para sempre”.

Mike Myers .... Shrek (voz) Bussunda (voz dublada)
Eddie Murphy .... Donkey (voz)
Cameron Diaz .... Fiona (voz)
John Lithgow .... Farquaad (voz)
John Cleese .... King Harold (voz)
Julie Andrews .... Queen Lillian (voz)
Antonio Banderas .... Puss-in-Boots (voz)
Rupert Everett .... Prince Charming (voz)
Pedro Bial (dubla Irmã Feia)
Jennifer Saunders .... The Fairy Godmother (voz)
Conrad Vernon .... The Gingerbread Man (voz)

Curiosidades
- Mike Myers, Cameron Diaz e Eddie Murphy receberam, cada um, US$ 5 milhões para dublar seus personagens em Shrek 2.

- A Fada-Madrinha havia sido criada para Shrek, mas terminou sendo cortada na versão final do filme.

enviada por alyssa



02/11/2004 01:05
A história da colonização do Oeste americano no final do século XVIII pelos olhos de Spirit, um cavalo que se torna um dos principais heróis anônimos do Velho Oeste. Com vozes de Matt Damon e James Cromwell. Recebeu uma indicação ao Oscar.
Um ponto muito interessante do filme é justamente que os animais aqui não conversam, mas conseguem passar toda a emoção que sentem em cada cena através das feições do rosto ou do simples olhar. A história explora o valor da amizade e da liberdade, possuindo algumas cenas exageradas - a fuga do desfiladeiro é uma delas - mas que não chegam a atrapalhar o filme como um todo. O que surpreendentemente também acontece com a trilha sonora, cujas músicas acabam narrando passagens do filme.

_ Enviem seus comentários para:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/
enviada por alyssa



01/09/2004 17:10
O capitão Nathan Algren (Cruise), um respeitado militar norte-americano, chega ao Japão em 1870 para treinar as tropas do Imperador Meiji e eliminar os últimos samurais, acabando com as tradições milenares. Quando Algren é capturado, aprende com Katsumoto (Ken Watanabe), líder dos samurais, os códigos de honra dos guerreiros e, então, decide de que lado vai ficar.
Ex-combatente na guerra da Secessão, o capitão Nathan Algren (Cruise) virou um bêbado desiludido que trabalha para a indústria de armas. Vive atormentado por fantasmas dos índios que ajudou a matar, sob as ordens do general Custer. Não tem muito o que esperar da vida, a não ser virar mercenário a serviço das muitas causas escusas que unem o mundo dos negócios à política.
Seu antigo sargento (Billy Connolly) chama Algren para treinar o exército imperial do Japão, no momento em que o país rompe um isolamento secular e prepara uma modernização à ocidental, em meados de 1876. Alguma semelhança com as verdadeiras razões por trás da guerra do Iraque não será mera coincidência. Afinal, ditando os rumos dessa modernização está uma aliança entre a indústria de armas e a diplomacia americana. A grande diferença é que no Japão não havia petróleo.
À frente de soldados que têm armas de fogo mas não a melhor estratégia, o capitão é capturado pelo comando samurai que, apesar de manejar apenas flechas e espadas, é mais eficiente. Ainda que fiéis ao jovem imperador (Shichinosuke Nakamura), os samurais se opõem a esse progresso governado pelos interesses estrangeiros e ensaiam uma rebelião. São os defensores da tradição e de valores como honra, nobreza, dignidade, altruísmo. Não é preciso mais do que um inverno em sua companhia para que Algren torne-se um samurai honorário, capaz de dominar a língua, os costumes e o modo de lutar dos espadachins, e se mostre disposto a mudar de lado, ainda que as chances de vitória sejam improváveis.
O diretor Edward Zwick tem prática em filmes em que a guerra ocupa um espaço central. Já conduziu Tempo de Glória, Lendas da Paixão, Coragem sob Fogo. Sabe portanto filmar batalhas com a energia que a câmera requer. Não lhe faltam, também, inspirações em filmes japoneses, notadamente na obra de Akira Kurosawa - sem a mesma grandeza e sentido épico. Um dos comprometimentos é a costumeira vaidade de Cruise, sempre o produtor de seus filmes, o que vale dizer que o filme manterá seqüências que não têm outro sentido além do exibicionismo. Um exemplo é a cena em que ele enfrenta três lutadores, mostrada duplamente por meio de um flashback, sem nenhuma necessidade narrativa.
Um maniqueísmo um tanto espesso tolhe a caracterizaçãop dos personagens principais, roubando força ao desenrolar dramático das situações. E o final é inacreditavelmente tosco e açucarado, diante de tudo o que veio antes. Ainda assim, o filme tem seu valor, especialmente na produção, como sempre, de alto nível. E Ken Watanabe sobressai-se como um herói acima de todos os vícios.
enviada por alyssa



21/08/2004 07:56
Estréia Dogville, o filme em que Lars von Trier expressa a sua descrença no homem

Numa das muitas cenas estranhas e incômodas de Dogville,dois personagens conversam a respeito de bonecos de louça guardados no interior de uma igreja. Ele é Tom (Paul Bettany), aspirante a escritor do vilarejo que dá título ao filme, e ela é Grace (Nicole Kidman), fugitiva ali abrigada. Os bonecos “descrevem melhor a cidade do que qualquer palavra”, diz a narrativa em off, que em seguida pergunta: “Eles são bonitos ou horríveis?”. Para Grace, pelo menos àquela altura da trama, a alternativa correta parece ser a primeira. Para Tom, também parece – e a história de como a resposta lentamente se inverte é o centro deste filme que, depois de fazer barulho no Festival de Cannes, estréia no Brasil com sua metáfora devastadora sobre as relações entre o indivíduo e o poder.
Dogville inicia quando os habitantes do vilarejo decidem acolher Grace. Nesse prólogo há uma sensação geral de pureza, tanto no tom fabulístico da narração, que situa o cenário num ponto onde “os presentes caem do céu”, quanto na simplicidade e no bucolismo descritos: ali estão o arbusto de groselha, a macieira, as sardas no rosto amigável, as mãos brancas que fazem a torta e o pão. As locações têm marcação teatral, com suas indicações – “escola”, “horta”, “casa” – escritas a giz no piso. Não há paredes a dividi-las, e desde logo se propõe um jogo ao espectador: o.k., todos sabemos que estamos diante de uma representação, e aí também se imiscui um tom de sinceridade, que abre mão de truques para concentrar-se no que é essencial à história.
Da mesma maneira, Dogville parece usar a isca da “história americana” e do “teatro” para falar alto. No primeiro caso, continuamos no terreno da publicidade: a irrelevância desse recurso no enredo é óbvia. Mude-se o nome da cidade para qualquer outro, mude-se a sua época e local, e rigorosamente nada se perde do drama que a rodeia: os Estados Unidos aparecem apenas como uma sombra sem estatura, insinuada em cenas tributárias de algumas tradições do país, como o puritanismo e os tiros de metralhadora disparados por gângsteres. A questão ética, no entanto, vai muito além de preceitos de uma religião específica, e a violência é abordada tão canonicamente, numa generalização que chega a incomodar por seu esquematismo explícito, que é difícil acreditar que Von Trier esteja falando de algo mais histórico, mais circunstancial e mais ligeiro do que a própria condição do homem em conflito. A América é muito pequena diante de tamanha ambição: nas palavras do próprio filme, está-se falando é da “alma humana, onde ela cria bolhas”.
A escolha do teatro, por sua vez, é mais complexa. A forma não está ali por acaso, e a recusa ao refresco dramático e à fluidez cumprem uma função de catequese, digamos assim. Dogville tem cerca de 3h de duração, e cada minuto cobra sua taxa em aridez e peso: é como se o espectador fosse uma espécie irredimível de crédulo, que precisa ser sempre lembrado de que o mundo é feio, de que o homem é torpe, e a compreensão dessa verdade em toda a sua inteireza não é nem mesmo a saída para que algo seja mudado. O filme é enfadonho em muitos momentos, mas até nisso parece haver intenção: quebra-se o encanto para que não haja chance de enxergar qualquer beleza na sordidez, qualquer lirismo na decadência. É uma proposição evidentemente utópica: da forma como Von Trier dirige seus atores e dá vida aos diálogos e a certas nuances da trama, o que se tem ao final das contas é a temida e sempre perigosa poesia da corrupção.

Dogville, escrito e dirigido por Lars von Trier. Com Nicole Kidman, Paul Bettany, Harriet Andersson, Lauren Bacall, James Caan, Ben Gazarra, Jeremy Davies, Philip Baker Hall.
enviada por alyssa



25/01/2004 10:56
Pecado Original traz uma história de crime e sensualidade ambientada sob o calor tropical de Cuba. A beleza de Angelina Jolie e o charme de Antonio Banderas chegam às telas neste romance de suspense, marcado pelo mistério e pela obsessão da paixão. Este thriller romântico é um remake do clássico A Sereia do Mississipi, realizado por François Truffaut em 1969, com as duas grandes estrelas do cinema francês de então, Jean-Paul Belmondo e Catherine Deneuve, nos papéis principais. Existem diversos diálogos que parecem estar soltos em meio à trama, fazendo com que tenhamos a nítida impressão de que os atores os falam de forma decorada, sem demonstrar nenhum tipo de emoção. A história, que não É ORIGINAL, tem uma série de furos que deixam a história inverossímil. Apenas para citar: - Como um homem de posses, desconfiado, mas decidido, isto está na história, poderia aceitar de primeira uma outra estranha para casar? - Quando a suposta irmã de sua mulher aparece, por que ele não comenta com ela sobre o detetive contratado por ela mesmo? - E essa irmã, coitada! Veio de longe apenas para aparecer 2 minutos de filme? Para qualquer roteirista mediano percebe que a pobre personagem caiu de pára-quedas no meio da história. Que lástima, mas fiquem tranquilos, tem gosto pra tudo e vai ter gente que vai adorar esse Pecado muito Original.


enviada por alyssa






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