01/09/2004 17:10
O capitão Nathan Algren (Cruise), um respeitado militar norte-americano, chega ao Japão em 1870 para treinar as tropas do Imperador Meiji e eliminar os últimos samurais, acabando com as tradições milenares. Quando Algren é capturado, aprende com Katsumoto (Ken Watanabe), líder dos samurais, os códigos de honra dos guerreiros e, então, decide de que lado vai ficar.
Ex-combatente na guerra da Secessão, o capitão Nathan Algren (Cruise) virou um bêbado desiludido que trabalha para a indústria de armas. Vive atormentado por fantasmas dos índios que ajudou a matar, sob as ordens do general Custer. Não tem muito o que esperar da vida, a não ser virar mercenário a serviço das muitas causas escusas que unem o mundo dos negócios à política.
Seu antigo sargento (Billy Connolly) chama Algren para treinar o exército imperial do Japão, no momento em que o país rompe um isolamento secular e prepara uma modernização à ocidental, em meados de 1876. Alguma semelhança com as verdadeiras razões por trás da guerra do Iraque não será mera coincidência. Afinal, ditando os rumos dessa modernização está uma aliança entre a indústria de armas e a diplomacia americana. A grande diferença é que no Japão não havia petróleo.
À frente de soldados que têm armas de fogo mas não a melhor estratégia, o capitão é capturado pelo comando samurai que, apesar de manejar apenas flechas e espadas, é mais eficiente. Ainda que fiéis ao jovem imperador (Shichinosuke Nakamura), os samurais se opõem a esse progresso governado pelos interesses estrangeiros e ensaiam uma rebelião. São os defensores da tradição e de valores como honra, nobreza, dignidade, altruísmo. Não é preciso mais do que um inverno em sua companhia para que Algren torne-se um samurai honorário, capaz de dominar a língua, os costumes e o modo de lutar dos espadachins, e se mostre disposto a mudar de lado, ainda que as chances de vitória sejam improváveis.
O diretor Edward Zwick tem prática em filmes em que a guerra ocupa um espaço central. Já conduziu Tempo de Glória, Lendas da Paixão, Coragem sob Fogo. Sabe portanto filmar batalhas com a energia que a câmera requer. Não lhe faltam, também, inspirações em filmes japoneses, notadamente na obra de Akira Kurosawa - sem a mesma grandeza e sentido épico. Um dos comprometimentos é a costumeira vaidade de Cruise, sempre o produtor de seus filmes, o que vale dizer que o filme manterá seqüências que não têm outro sentido além do exibicionismo. Um exemplo é a cena em que ele enfrenta três lutadores, mostrada duplamente por meio de um flashback, sem nenhuma necessidade narrativa.
Um maniqueísmo um tanto espesso tolhe a caracterizaçãop dos personagens principais, roubando força ao desenrolar dramático das situações. E o final é inacreditavelmente tosco e açucarado, diante de tudo o que veio antes. Ainda assim, o filme tem seu valor, especialmente na produção, como sempre, de alto nível. E Ken Watanabe sobressai-se como um herói acima de todos os vícios.
enviada por alyssa
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