14/06/2005 13:04
 Quando a inteligência é colocada a serviço de um cineasta, através de um roteiro bem elaborado, ao contar com o apoio de um elenco de grandes atores, por estar trabalhando ao lado de uma equipe técnica de apoio gabaritada e que se esforça ao máximo para acertar tudo nos mínimos detalhes e, também, quando o próprio diretor se esmera no sentido de extrair de todos os que trabalham sob a sua batuta o máximo que cada um pode dar, surgem obras como o filme de Phillip Kaufman, "Os Contos Proibidos do Marquês de Sade".
Pelo fato do filme lidar com um personagem dos mais complexos, especialmente pela sua especialidade enquanto escritor, ou sejam, as obras de conteúdo erótico, torna-se difícil para os professores imaginarem onde e como utilizar tal obra. Trata-se de material que deve ser utilizado apenas a partir do Ensino Médio e, preferencialmente, em cursos de 3º Grau.
Há, na obra de Kaufman, referências a Napoleão, que inclusive aparece rapidamente no filme, já que o imperador francês perseguiu o Marquês e vetou seus escritos. Há uma "participação especial" do período do Terror, logo no início do filme, com a guilhotina sendo colocada em funcionamento numa cena de horror explícita. Há também, a forma como a sociedade lidava com seus loucos na transição do século XVIII para o XIX, diga-se de passagem, extremamente perturbadora, sem qualquer perspectiva real de recuperação dos pobres doentes.
A história do filme, por sí, nos conta a situação do devasso Marquês de Sade (interpretado brilhantemente pelo ator britânico Geoffrey Rush), que devido a sua grande habilidade para escrever acaba sendo preso por ordem da autoridade imperial, vossa majestade, Napoleão Bonaparte. Poderíamos imaginar se tratar de mais um caso de perseguição política, numa época de consolidação da ordem burguesa onde um marquês (ou seja, um nobre) não seria tão bem considerado socialmente. Não é esse, no entanto, o caso do perseguido Sade, pelo contrário, ele vai ser perseguido por sua depravação moral, numa sociedade católica que, se não é tão conservadora quanto as ibéricas (Portugal e Espanha), também tem seus rígidos códigos de conduta.
Mas o marquês não é mandado para uma prisão qualquer, depois de rodar por instituições que não conseguem resolver seus problemas, ele é internado num sanatório, ou melhor dizendo, num hospício. Para não ficar realmente louco, ele desanda a escrever, auxiliado por uma jovem camareira que trabalha nessa instituição (a bela Kate Winslet, de Titanic, numa participação convincente).
A tal instituição mental é, porém, capitaneada por um padre (vivido pelo ator Joaquin Phoenix, que já havia brilhado como o imperador Comodus, em "Gladiador") que proíbe o marquês, terminantemente de continuar escrevendo seus trabalhos imorais.
enviada por alyssa
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